1 de junho de 2026

3º DIA: O DIA QUE VIRAMOS GIGANTES, A BIA QUASE CONGELOU E O CARRO VIROU HOTEL DE GATO

Hoje nossa primeira parada foi no Mini Mundo. Ah, esse lugar tem um superpoder que a ciência precisa estudar: a capacidade de nos fazer sentir verdadeiros gigantes invadindo uma civilização paralela.



Nossa última visita tinha sido em 2011 e, gente, como essa maquete gigante cresceu! Parece que jogaram fermento na cidadezinha. O lugar cresceu tanto que daqui a pouco vai precisar de prefeito próprio e cobrança de IPTU. Se em 2011 já era impressionante, hoje é praticamente uma metrópole em escala 1:24.

Chegamos por volta das 9h30 da manhã, prontinhos para a nossa missão oficial do dia: a lendária caça aos bonequinhos de referência. Para quem não sabe, o Mini Mundo é cheio de detalhes escondidos e personagens "famosos" espalhados pelas ruazinhas. O resultado? Três adultos (ou dois adultos e uma adolescente) andando curvados, com o olho colado nas miniaturas e cara de detetive de filme noir, tentando achar desde o Beatles cruzando a rua até o Elliot andando de bicicleta com o ET na cestinha.


Tiramos aproximadamente quatrocentas fotos por metro quadrado. De perto, de longe, de cima, de lado… Se bobear, tiramos foto até do mesmo miniposte umas três vezes sem perceber. Abaixo 3 grandes referencias em uma mesma foto: Personagens de Scooby-Doo, os dois protagonistas do seriado Supernatural e os Caça-Fantasmas. Na segunda fotos temos o Monkey D. Luffy, de One Piece, na proa de um navio. Pena que não era o Going Merry, e nem o Thousand Sunny.


Aí veio o momento clássico de qualquer viagem em família para a serra: a temperatura resolveu dar aquela caída simpática. A Bia, que saiu do hotel com uma blusinha peludinhas porém fina, começou a congelar e a única solução foi fazer uma parada estratégica na lojinha do parque. Resultado? Ela saiu de lá toda elegante, embalada numa pashmina quentinha — que tem 99,9% de chance de virar item de colecionador no fundo do armário e nunca mais ver a luz do dia na vida, mas que no momento salvou a pátria (e os ombros) dela!

Foram quase quatro horas de passeio — saímos de lá já era 13h, com as pernas pedindo trégua, os olhos treinados para enxergar em milímetros e a certeza de que a vida em miniatura dá um trabalho gigantesco para ser construída, mas é divertida demais de ver!


Informações Gerais: 
Rua Horácio Cardoso, 291, no bairro Planalto - Gramado/RS.
Aberto diariamente, das 9h às 17h.

Saindo do Mini Mundo, fomos direto para o Lago Negro. Se no Mini Mundo o frio estava só dando "bom dia", no lago o frio resolveu mostrar quem é que manda na Serra Gaúcha!

A Bia, que já tinha aposentado solenemente a pashmina recém-comprada de três horas atrás, agora estava no modo cebola: uma blusa de lã estratégica jogada por cima de uma blusa peludinha. Mas quem disse que adiantava? A brisa que vinha da água parecia soprada direto do Polo Sul!

O resultado disso? Bom, se existe um recorde mundial para "a volta mais rápida a pé ao redor do Lago Negro", a nossa família com certeza acabou de homologar. Nada de paradinhas contemplativas para fotos poéticas entre os pinheiros; o ritmo era de caminhada atlética, eu abraçada com ela (pra tentar esquentar), e ela com os dentes batendo. Demos a volta em tempo recorde só para voltar correndo para a proteção do carro e partir rumo ao centro de Gramado.

Informações Gerais: 
Rua J. Renner Bairro Lago Negro – Gramado/RS
Aberto 24 horas. Horário de funcionamento dos pedalinhos: das 8h30min às 18h


Chegando lá, a primeira parada foi estratégica e altamente calórica: fomos direto à Praça das Etnias devorar o famoso (e glorioso) pão recheado quentinho saindo do forno de pedra. Sério, aquilo não é um pão, é um abraço quentinho em forma de carboidrato. Restaurou nossas energias e devolveu a circulação para as nossas extremidades!

Mas a paz durou pouco. Olhando bem ali na frente da praça, lá estava ela, nos encarando como um farol de salvação: a loja da Renner.
Fomos obrigados a fazer uma pausa para compras e adquirir — adivinhem? — MAIS UM casaco para a Bia.

"Mas vem cá, a Bia não levou casaco para a viagem?", você deve estar se perguntando. Resposta: claro que levou! Vários! Só que todos eles estavam muito bem acomodados, quentinhos e confortáveis descansando no armário do hotel… lá em Canela!

Diante do dilema entre rodar de volta até Canela no trânsito ou investir no comércio local, a logística da família decidiu: achamos infinitamente mais fácil comprar outro casaco na hora. Afinal, essa é a regra de ouro do turismo na serra: casaco novo nunca é demais, o importante é sobreviver ao frio congelante!

Agora sim! Bia devidamente empacotada em suas múltiplas camadas de sobrevivência térmica (com direito ao casaco novinho em folha), finalmente pudemos fazer aquilo que Gramado exige de todo turista: bater perna sem pressa nenhuma.

Saímos caminhando sem rumo fixo pelas ruas charmosas. Passamos por aquele McDonald's fofíssimo que nem parece rede de fast food de tão bonitinho.

Admiramos a fachada do hotel que tem um carrossel de contos de fadas bem na frente e, claro, fizemos o tour oficial de degustação: entramos em praticamente todas as lojas de chocolate do caminho. A regra é clara: se tem amostra grátis e cheiro de cacau no ar, a gente entra!


Ainda deu tempo de dar aquela esticada até a Catedral de Pedra de Gramado, tirando fotos e curtindo o clima europeu.


Mas a melhor surpresa do dia estava guardada para o momento do reencontro com o nosso veículo. Quando chegamos perto do carro… lá estava ele: um gatinho inacreditavelmente fofo e absurdamente folgado, pleno, deitado e tirando um cochilo no nosso capô!

O capô ainda devia estar quentinho do motor, e o meliante felino decidiu que ali era o seu novo resort particular. Foi preciso uma negociação diplomática de alto nível, com muito carinho, diplomacia felina e um tiquinho de sacrifício para convencer o bichano a desocupar o lataria sem ficar chateado com a gente!

Para fechar o terceiro dia com chave de ouro, uma neblina densa e cinematográfica baixou sobre a pista, daquelas que parecem cenário de filme e combinam 100% com o clima misterioso e aconchegante da serra. Um encerramento perfeito para mais um dia épico de férias!





31 de maio de 2026

2º DIA: REVISITANDO MEMÓRIAS, CASCATAS E SABORES DO CAFÉ COLONIAL

Se no primeiro dia a nossa coluna sofreu no labirinto de Nova Petrópolis, o segundo dia foi para testar nossos batimentos cardíacos, nossas pernas e a capacidade elástica do nosso estômago. 

Um combo clássico: Canela, Gramado e o maravilhoso Café Colonial.

1ª PARADA DO DIA: BONDINHO DE CANELA


Começamos o dia no Bondinho de Canela. Compramos os ingressos ainda na estrada, em um local de vendas autorizado e desembarcamos no Parque do Bondinho prontos para a aventura.

A primeira atração escolhida foi a Eagle. Ele prometia o voo de uma águia, mas entregou o passeio calmo de um pardal sonolento. A maior emoção foi a subida de costas — aquele momento em que você encara o abismo e reza um Pai Nosso. Mas a descida foi muito tranquila. Na minha opinião, não vale o preço do ingresso.

Momento da subida


Em seguidas partimos para o Aerozuum. Esse sim teve adrenalina! Aqui a gente ligou o modo "Velozes e Furiosos", aceleramos tudo o que podiamos e fomos sem medo de ser feliz. Se nos deixassem, estaríamos lá até agora.


Bia e eu fomos juntas fazendo a dupla das meninas, enquanto o Sr. Dias foi em missão solo, afinal, para o porte e a altura dele, um carrinho exclusivo era questão de puro conforto!

Chegou a hora da atração principal do parque, os bondinhos. Pegamos o primeiro, na Estação Central e fomos até a Estação Animal. Fizemos a trilha ecológica — um caminho super agradável onde demos a sorte de avistar um belo tucano exibido. 



O ponto fraco ficou por conta do espaço Esculturas que Falam. A ideia de ter cerca de 85 animais esculpidos em madeira emitindo seus sons característicos quando você "esfrega" o bastão é incrível, mas a falta de manutenção estragou a brincadeira. Diferente de 2014, quando encontramos tudo em perfeito estado, desta vez muitas esculturas estavam sem os seus bastões. Um espaço criado justamente para a interação do visitante perde completamente o sentido quando não há o equipamento necessário para fazer a arte "falar". Ficou aquela sensação de potencial desperdiçado por descuido do parque.


Estação Cascata: Descemos até a última parada para ver a famosa Cascata do Caracol. Vale avisar: a estação é bem pequena, sendo o seu único e exclusivo atrativo a contemplação da paisagem. Não há absolutamente nada para fazer por lá a não ser apreciar a vista e garantir as fotos do álbum.


Mas a compensação veio quando esperávamos o bondinho para a estação central: uma família de Bugios deu o ar da graça ali pertinho. As funcionárias contaram que eles são residentes fixos e adoram dar um show por ali. Eram tão fofos que ficamos ali por uns 15 minutos observando eles e conversando com as funcionárias que foram umas fofas conosco contando sobre eles.


A foto ficou ruim, mas valeu o registro


Informações Gerais: 
Rua Constante Félix Orsolin, 699 - Caracol, Canela/RS.
Aberto diariamente, das 9h às 17h.


2ª PARADA DO DIA: PARQUE DO CARACOL

Entrar no Parque do Caracol depois de doze anos da última visita (em 2014) foi um pequeno choque. Por um segundo, bateu aquela dúvida: “Estamos mesmo no lugar certo?”. Estava tudo tão diferente que parecia que tínhamos entrado no parque errado!

Para começar a exploração, fomos direto para a Torre Araucária, que simula a própria árvore. Seu elevador é todo decorado com musgos e reproduz sons de passarinhos durante a subida/descida. 

Achei diferentão, mas preciso fazer um desabafo sincero de uma amante de fotografia: aquele vidro de proteção no topo da torre parece que foi instalado ali com a única missão de atrapalhar nossas fotos e a contemplação da cascata.
Fica a dica para o parque: deixa a gente sentir o vento no rosto!


Buscando uma visão sem obstáculos, seguimos para o deck de vidro. Ah, ali sim! A vista é espetacular e o som da cascata descendo é daqueles que arrepia até o último fio de cabelo (e faz a gente esquecer a raiva do vidro da torre).


Depois das fotos, continuamos o trekking de meio metro até encontramos uma tirolesa/balanço. Cada um teve os seus segundos de criança descendo por ela.

Seguimos até o deck da Cascata do Moinho. Ficamos ali um bom tempo só contemplando a água descer... e, sendo bem sincera, aproveitando para fingir que estávamos reflexivos enquanto, na verdade, tentávamos recuperar o fôlego para a caminhada de volta, que era pura subida. A maturidade chega e o pulmão cobra o preço!

Recompostos, passamos pelo Jardim do Mel. O jardim estava lá, mas o mel e as donas da casa... zero. As abelhas deviam estar de folga porque não vimos nem sombra de uma listrada.


Sem abelhas, seguimos a trilha e fomos parar na Casa Raízes. Que achado! Virou uma cafeteria extremamente charmosa, com fogueira acesa, redário e até borboletário. Ligamos o modo paz & amor, sentamos ali e ficamos só apreciando a paisagem, as borboletas e um Louva-a-Deus aleatório que resolveu dar o ar da graça e virar atração turística por alguns minutos.



 

Na saída, cruzamos com a área das churrasqueiras e o cheiro do churrasco gaúcho quase nos fez desistir do restante do roteiro. Saímos de lá com a boca cheia d'água!

Informações Gerais: 
Rodovia RS 466, km 0 - Caracol, Canela/RS.
Funcionamento: Seg. a sex. das 9h às 17h;
Finais de semana e feriados das 9h às 18h.


3ª PARADA DO DIA: CENTRO DE GRAMADO

Pegamos o carro rumo a Gramado e, no meio da estrada, a Serra Gaúcha resolveu atuar no seu papel mais dramático: do absoluto nada, baixou uma neblina tão densa que parecia que alguém nos bastidores tinha ligado uma máquina de fumaça gigante no modo turbo. Só faltou a trilha sonora de suspense! Mas, tão rápido quanto veio, o "nevoeiro cinematográfico" sumiu, provando que o clima da serra tem mais mudanças de humor que a gente antes do café da manhã.

Chegando lá, estacionamos pertinho da famosa Rua Torta. E aí começa o verdadeiro esporte olímpico gramadense: o desvio de turistas para conseguir uma foto aceitável. É um tal de fingir que está olhando a paisagem para não sair na foto dos outros e, ao mesmo tempo, dar aquela cotovelada sutil para ninguém entrar na sua. Cota obrigatória de fotos devidamente cumprida sem nenhum atropelamento!

 

De lá, engatamos a marcha atlética e fomos desbravando a cidade:

  • Passamos pela Praça das Etnias (fingindo costume com a tentação dos pães quentinhos saindo dos fornos);

  • Desfilamos pela Avenida Borges de Medeiros, que estava impecável como sempre;

  • Fomos dar um "oi" e garantir a foto do lendário Kikito (o troféu do festival de cinema mais encarado do Brasil);


  • Tentamos dar uma volta relaxante no Lago Joaquina Rita Bier, mas o lago resolveu entrar em obras bem na nossa vez. Tivemos que fazer uma "quase volta", dando meia-volta com a maior cara de pau e fingindo que era esse o plano desde o início.





No momento exato em que o sol começou a se despedir, o clima da serra mandou seu recado. O vento gelado veio com tudo e, junto com ele, uma fome monstruosa que só a Serra Gaúcha consegue despertar.


4ª PARADA DO DIA: CAFÉ COLONIAL

O Gran Finale ficou por conta do Café Colonial.
Poderíamos ter escolhido qualquer um dos inúmeros cafés coloniais da cidade, mas a nostalgia falou mais alto. Escolhemos o Gramado Café Colonial por motivos puramente emocionais: foi o primeiro que fomos juntos, lá em 2007.



O garçom nem terminou de dar "Boa noite" e a mesa já parecia um banquete medieval: 40 tipos de salgados, tortas, queijos, gratinados e jarras de suco. Saímos de lá precisando de um guindaste para nos levar até o carro!



ÚLTIMA PARADA DO DIA: CENTRO DE CANELA EM MODO NOTURNO

Decidimos deixar o carro no hotel e apelar para uma "caminhada terapêutica" até a Catedral de Pedra — que na verdade era só uma tentativa desajeitada da gente tentar fazer a digestão e enganar o organismo antes de dormir.

O contraste entre as duas vizinhas foi quase cômico: enquanto Gramado parecia uma capital no Réveillon - agitada e lotada - Canela repousava na mais perfeita paz de um domingo à noite fora de temporada.


Caminhar até lá valeu cada passo. A cidade estava deliciosamente calma, a Catedral de Pedra reluzia com sua iluminação impecável, o vento frio batia no rosto para nos manter acordados e, no peito, só restava uma absoluta e inquestionável certeza: a gente não precisa comer absolutamente mais nada até a semana que vem.

Amanhã tem mais aventuras pela serra!
(Se a gente conseguir acordar depois desse banquete colonial!)