A aventura continua e, olha, o destino resolveu sorrir, ou melhor, gargalhar para a gente! Se Piranhas já estava encantadora, esse "upgrade" inesperado transformou o dia em um verdadeiro roteiro de cinema — e sem precisar de cachê de estrela de Hollywood.
Vamos para mais um dia da nossa viagem de férias.
CAFÉ COM CONTEMPLAÇÃO:
Que começo de dia espetacular! Tomar café da manhã com o velho Chico dando "BOM DIA" é privilégio.
O buffet era raiz, sem aquela ostentação de mil bolos e pães artesanais. Era o básico para a sobrevivência humana no sertão. Mas sinceramente, com uma vista daquelas, até um café puro vira banquete de rei. É o tipo de cenário que faz a gente mastigar mais devagar só para a paisagem não acabar logo.
Saímos da pousada às 09h, atravessamos a ponte que separa Alagoas de Sergipe (um pulinho e plaft: mudamos de estado!) e chegamos na Carol Tour. A expectativa era encontrar a lancha lotada, com gente disputando espaço para tirar foto, já que o passeio era compartilhado. Mas a atendente soltou a frase que soou como música para nossos ouvidos:
"Hoje o passeio será exclusivo para vocês!"
Gente, a sensação foi de ter ganhado na loteria sem nem ter jogado! Depois de desembolsar uma nota pelo VIP em Aracaju, a economia de Piranhas nos deu um VIP involuntário pelo preço de um passeio compartilhado. Se isso não é sorte, eu não sei o que é!
LOGÍSTICA E PARTIDA:
Com o restante do pagamento feito (e com aquele sorrisão no rosto, claro), seguimos até um amplo estacionamento que parece comportar metade do Nordeste.
Encontramos o Sr. José (nome fictício porque eu não lembro o nome dele), o nosso capitão de hoje. Ele nos levou até um quiosque de apoio para irmos ao banheiro e comprarmos água.
Garrafinhas de água compradas e devidamente acomodadas na térmica do Sr. José (porque ninguém quer água quente no calor do sertão), lá fomos nós em direção à lancha. Nosso Capitão levou um violão e (spoiler) deu um show lá nos cânios!
VIP DOS VIPs:
Diferente dos grandes barcos, a lancha dá aquela sensação de "liberdade total". Sentar ali, sentir o ventinho no rosto e saber que não tem ninguém bloqueando a sua vista para os cânions... é outro nível de experiência!
Quando a gente acha que não pode melhorar mais, vem o nosso capitão e nos dá livre controle do rádio! Ter uma lancha exclusiva e com o controle do rádio... ah, aí já é outro patamar!
O Velho Chico nos espera. Segura o chapéu, porque agora a lancha vai acelerar! PARTIU CÂNIONS!
MOMENTO "DISCOVERY CHANNEL" (ou quando quase estraguei o passeio):
Lá estávamos nós, na maior vibe VIP do Sertão. O Sr. Dias tinha transformado a lancha em um trio elétrico particular com o melhor de Alceu Valença e Elba Ramalho, o vento batendo no rosto, aquela água verde-esmeralda convidativa...
... até que eu, no auge da minha sabedoria de guia turística amadora, resolvi abrir o bico.
- "Será que vamos ver piranhas?"
Bastou! No mesmo segundo, a trilha sonora de Elba sumiu da cabeça da Bia e foi substituída pelo tema do filme Tubarão.
A ruguinha de preocupação que brotou na testa dela não era uma ruga, era um código Morse dizendo: "Me tira daqui agora!".
A Bia passou a olhar para o Rio São Francisco não mais como uma maravilha da natureza, mas como um buffet livre onde ela seria o prato principal.
Cada vez que a lancha dava um solavanco, ela provavelmente pensava:
- "Será que alguém verificou se o casco da lancha é blindado contra mordidas?"
MÚSICA, FÉ E... PROTEÇÃO PARA MEMBROS INFERIORES:
O Sr. Dias continuava lá, curtindo o som, enquanto eu tentava explicar que as piranhas eram "super sociáveis" e que (talvéz) "fossem vegetarianas" ou até mesmo "domesticadas".
De repente o Sr. José parou a lancha para nos mostrar um altar encravado no paredão de pedra. Eu achei lindo, o Sr. Dias achou místico, mas a Bia? Ela provavelmente estava rezando para todos os santos para que nenhum peixe decidisse testar o sabor do seu dedinho do pé.
É emocionante ver como a fé do povo ribeirinho se manifesta em lugares tão inacreditáveis. Para uma melhor contemplação, o motor da lancha foi desligado, ficou aquele silêncio, e a gente só ouvia o barulho da água batendo na rocha. Foi o momento perfeito para as fotos (e para agradecer por aquele passeio VIP não planejado!).
Enquanto navegávamos, a gente se deixava contagiar pelo ritmo da música e se perdia naquela imensidão verde-esmeralda. A sensação era de que o tempo tinha parado. Não havia pressa, não havia fila, apenas nós três, o nosso Capitão e o Velho Chico nos dando as boas-vindas.
A cada curva do rio, uma surpresa nova. E com a trilha sonora do Sr. Dias, o passeio deixou de ser apenas um deslocamento para virar uma experiência sensorial completa.

OPERAÇÃO "FUGA DO FORMIGUEIRO":
Sabe aquela cena de filme onde os heróis precisam correr antes que o portão se feche? Foi a gente desembarcando no barco de apoio.
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| Nosso barco de apoio |
Estava tudo uma paz, um silêncio... mas olhei para trás e lá vinha ele, o Catamarã do Apocalipse, brotando no horizonte carregado de gente vindo na nossa direção. Parecia um exército pronto para invadir a nossa paz VIP.
Minha reação: "Gente, foco no objetivo! Nada de piscininha agora, direto para a canoa!", gritei (mentalmente, para manter a classe, claro!).
A PROA VIP (ou seria escudo humano?):
Colocamos os coletes salva vidas e os capacetes (itens obrigatórios) e conseguimos uma canoa pra chamar de nossa!
Bia foi na frente, na proa, garantindo a visão 4K sem nenhum bloqueio. Se a gente estivesse no Titanic, ela seria o Leonardo DiCaprio gritando "Eu sou o rei do mundo!" (ou, no caso dela, "Eu sou a primeira a ser avistada pelos peixes dentuços!").
Nós, logo atrás dela, servindo de suporte físico e moral, garantindo que ninguém caísse na água.
E atrás de nós um casal de intrusos (brincadeira!), um casal de corajosos completou o time. Não sei quem estava com mais medo: Se era a Bia com medo das piranhas ou a moça de trás com medo de cair na água porque ela não sabia nadar.
O RITUAL NA GRUTA DO TALHADO:
A canoa zarpou com o motorzinho ligado, deu aquela aceleradinha e a gente saiu na frente, deixando o povo do catamarã comendo poeira (ou melhor, comendo espuma de rio).
Quando chegamos na entrada da Gruta do Talhado, o motor faz aquele silêncio repentino e o barqueiro assume o comando no braço. É um momento quase sagrado. A gente passou do modo canoa rápida para o modo "Gôndola de Veneza, versão Caatinga".
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| Entrada da Gruta do Talhado |
A mudança de energia é surreal! No momento em que o motor desliga e o canoeiro começa a remar, parece que a gente entra em outra dimensão. Os paredões de pedra parecem que vão se fechando para abraçar a canoa.
Entrar naquele talhado de pedra é de uma paz absoluta... até você lembrar que precisa tirar 500 fotos, segurar a Bia e não deixar o celular cair no "território das mordidas".
O barqueiro ia remando com aquela calma de quem tem o Rio São Francisco no DNA, enquanto a gente se sentia dentro de uma fenda mágica. Era o Sr. Dias tentando o melhor ângulo, o casal atrás suspirando de emoção (e medo ao mesmo tempo), e a Bia lá na frente, servindo de modelo para nossas fotos naquela imensidão de pedra.
OPERAÇÃO "SALVEM AS CABEÇAS!":
Sabe aquele momento em que a canoa parece que foi feita sob medida por um engenheiro muito preciso? Pois é! A gente vai entrando naquela fenda e, de repente, percebe que o teto de pedra resolveu dar um "oi" bem de perto para a nossa testa.
Viva os capacetes! Eu e o Sr. Dias já estávamos ali, encolhendo o pescoço igual tartarugas, enquanto a Bia, lá na frente, devia estar se perguntando se o capacete também protegia contra saltos ornamentais de piranhas (nunca se sabe, né?).
Se não fosse o acessório de segurança, a gente ia sair dali não apenas com memórias, mas também com um "galo" de estimação na cabeça!
O barqueiro deu aquela paradinha estratégica. É o momento VIP do passeio. Apreciação Total! Sem barulho de motor, sem o povo do catamarã gritando, só a gente e aquele paredão imenso.
Ele nos convidou a fazer uma conexão com a natureza tocando na pedra. Que sensação! É como se desse para sentir os milhares de anos que aquela pedra levou para ser esculpida. Uma energia que faz a gente esquecer até da escadaria da pousada (e a Bia esquecer as piranhas, tenho certeza!).
Entre uma fenda e outra, a gente vê uma imagem de Nossa Senhora, um São Francisco (claro, o dono da casa!) ou um outro santinho já meio castigado pelo sol e pela umidade, mas firme e forte na sua missão.
O mais impressionante é imaginar como as pessoas conseguiram colocar alguns daqueles santinhos em lugares tão altos ou de difícil acesso. É a prova de que, para quem tem fé, o paredão de 50 metros é só um detalhe!
A RECOMPENSA NO FIM:
O nosso capitão do remo continuou a jornada até que, de repente, lá no fim surge uma "prainha" perdida no meio do nada.
Sim, um pedacinho de areia entre os paredões onde o desembarque é proibido, mas a curiosidade é liberada. Nosso barqueiro avisou que é possível chegar ali por trilha.
E de fato é possível, pois a gente olhou para a areia e lá havia uma mochila e uns calçados.
Eu logo pensei: "Nossa, que aventureiros corajosos!"
A Bia provavelmente pensou: "Será que as piranhas comeram as pessoas e deixaram seus pertences ali como troféu?!"
Mas ó, tem que ter disposição para encarar a trilha no sol do sertão, hein? Olhamos para o conforto da canoa e acho que todos nós concordamos: o modo "VIP flutuante" era bem mais interessante.
E ali, no fim do caminho, de frente para a prainha, o barqueiro fez aquela manobra elegante e começou o retorno.
É um passeio de canoa que dura o tempo de um suspiro, mas que preenche a alma por um ano inteiro.
Saímos dali renovados, com a cabeça intacta e a alma lavada. Energizados e prontos para um mergulho no velho Chico e para encarar o "exército" de turistas do catamarã.
Foi rapidinho, mas inesquecível. Agora, de volta à base!
O MERGULHO DA VITÓRIA:
Chegamos no barco de apoio e a cena era: Metade da "tropa" do catamarã estava lá, batendo perna na piscininha, enquanto a outra metade ainda estava na fila da canoa.
Bastou um olhar para aquela piscina natural demarcada e a hesitação da Bia evaporou. A coragem finalmente venceu o medo de virar petisco e ela decidiu que a água verde-esmeralda do Velho Chico era um convite irresistível demais para ser ignorado. E lá foi ela!
A água estava tão perfeita que acho que até a ruguinha de preocupação dela foi lavada e seguiu rio abaixo em direção a Sergipe.
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O CAPITÃO POPSTAR:
Lembram do nosso capitão? Aquele que eu disse que era um artista? Pois bem, o homem não apenas toca violão, ele faz a água do rio vibrar e as piranhas entrarem em transe musical. Enquanto a gente estava lá na piscininha, tentando manter a dignidade e a flutuabilidade, ele resolveu abrir o "show".
O pessoal do catamarã gigante ficou lá, com cara de quem comprou ingresso para o circo e ganhou um show do Roberto Carlos.
Foi o fechamento perfeito para a nossa manhã: mergulho, sol, santinhos na fenda e um show particular aplaudido pela "concorrência".
A fome começou a bater com força total. Olhamos para o Sr. José, e ele, que deve ser um mestre da leitura mental, entendeu na hora. Ele deu o acorde final, guardou o violão, agradeceu à platéia catamarã e zarpou com a lancha. Destino: Restaurante Castanho.
HORA DO RANGO E DO DESCANSO - RESTAURANTE CASTANHO:
Chegamos lá com aquela pompa de quem tem o Rio como quintal. O Sr. José, que já é de casa, nos guiou até as mesas.
E que escolha, hein? Uma mesa estrategicamente posicionada à beira do rio, com aquele visual que faz qualquer prato de comida parecer um banquete cinco estrelas.
Depois do almoço resolvemos testar a área de mergulho do restaurante. A água ali não chegava nem no joelho! Era praticamente um mergulho de tornozelo. Mas sabe o que é melhor? A Bia estava tão entretida com a água que as piranhas foram oficialmente deletadas da memória dela. Ela entrou no rio com a confiança de uma sereia, ignorando completamente que, minutos atrás, estava em pânico. O sol do sertão deve ter evaporado o medo!
Enquanto eu e Bia fazíamos esse "mergulho de passarinho" na beira do rio, o Sr. Dias aplicou a melhor tática pós-almoço: o chochilo tático.
Ele se acomodou na espreguiçadeira, em questão de segundos, já estava em outra dimensão. O som do rio, a brisa batendo e ele lá, curtindo o descanso do guerreiro enquanto a gente se molhava na água rasa. É o privilégio de quem sabe aproveitar cada segundo da logística VIP!
Quando o cansaço bateu e a gente percebeu que já tínhamos absorvido toda a energia (e comida) possível, foi só caminhar tranquilamente em direção aos barcos.
Fomos nos arrastando na nossa velocidade, parando para tirar aquelas últimas fotos.
Não teve correria, não teve guia soprando apito, não teve fila para embarcar. O Sr. José estava lá, deitado na rede, só esperando a gente decidir que a vida VIP por um dia estava chegando ao fim.
Agora, de volta à lancha para a travessia final. A aventura em Piranhas está sendo um espetáculo, e a gente ainda tem muito o que contar (e o Sr. Dias ainda tem muito joelho para reclamar!).
Bora voltar para Canindé e depois pra Piranhas!
MIRANTE SECULAR E O OBELISCO:
Sabe aquele momento em que o universo olha para o joelho do Sr. Dias e resolve ter piedade? Pois é! Descobrimos, sem querer, o caminho de carro para o mirante secular, que abriga aquele obelisco do final do século XIX.
Enquanto muita gente encara os 360 degraus (segundo o Google), o equivalente a subir um prédio de uns 20 andares no sol do sertão, nós chegamos motorizados, plenos e com o pulmão intacto pela Rota Encantada.
Nossas pernas e pulmões agradeceram tanto que quase fizeram uma oração em conjunto ali mesmo. Subir escada é para os fortes, mas chegar de carro é para os gênios (ou os sortudos, no nosso caso!).
Lá em cima o visual é de tirar o fôlego. Sentamos no restaurante, pedimos uma água e um picolé, mas o vento estava tão forte que parecia que a gente ia sair voando direto para Sergipe.
O pôr do sol ali deve ser cinematográfico, mas às 16h o cansaço já estava gritando mais alto que a vontade de ver o sol sumir.

Depois de um dia digno de astros de cinema, com show particular de violão e mirante conquistado sem subir um degrau sequer, o corpo resolveu emitir o boleto do cansaço. Chegamos na pousada e o banho foi como um botão de "desligar" para a família inteira.
A logística de descer até o centro e, pior ainda, o pesadelo de ter que subir tudo de volta depois, fez o nosso cérebro decidir que biscoito é o melhor prato do mundo. Mas cá entre nós, os biscoitos continuaram intactos no pacote. Nos rendemos ao sono dos justos ao som das músicas lá do Centro.
Boa noite, Piranhas! Amanhã tem mais aventura!