20 de janeiro de 2026

6º DIA: DE ARACAJU PARA PIRANHAS

Tchau, Aracaju! Em breve estaremos de volta! Sim, ainda voltaremos para Aracaju antes de retornarmos ao RJ. 

Partimos com o coração leve e o carro carregado rumo a Piranhas, no sertão de Alagoas. O GPS prometia pouco mais de 200 km, mas a gente sabe que quilometragem de viagem é medida em "paradinhas estratégicas" para comer e ir ao banheiro. 

AS ESTRADAS: 
As estradas estavam ótimas, o que é um milagre que a gente agradece de joelhos. No caminho pegamos uns trechos de chuva só para dar aquele efeito dramático de filme de aventura.


Paramos em Nossa Senhora da Glória (a Capital do Leite) para almoçar. Olha, se o leite é bom eu não sei, mas o almoço, que não estava lá grandes coisas, serviu para dar aquele sustento necessário para o que o destino nos reservava.


A POUSADA E O MISTÉRIO DA MEMÓRIA CURTA: 
Ficamos na Pousada Maria Bonita, que tem uma localização privilegiada: na escadaria da Igreja do Senhor do Bonfim. A vista é espetacular! O preço? Alguns alvéolos pulmonares.


Vista da Pousada

Mas eu, como uma pessoa prevenida e honesta, disse ao Senhor Dias lá atrás, antes de fazer a reserva:

"Meu querido, a pousada tem uma vista incrível! Fica no alto e tem escada pra chegar, ok?"

Ele, com a bravura de um maratonista, respondeu: "Sem problemas!".

- Corta para nós na frente da escadaria -


No momento em que viu a escadaria, o Senhor Dias foi atingido por um fenômeno médico raríssimo: ASD (Amnésia Seletiva de Degraus). Ele olhou para cima com uma cara de quem nunca tinha visto uma inclinação na vida. 

— "Tem que subir isso?"

— "Eu avisei..."

— "Avisou? Você disse 'escada', não disse 'escalada ao Everest com mala e cuia e sem cilindro de oxigênio'!"

Foto retirada do site da Pousada

A MALA:
Nesse primeiro momento, decidimos subir apenas com as mochilas e uma malinha pequena (e um inalador imaginário). A mala grande ficou no carro para buscarmos depois.

A cada dez degraus, eu parava para "admirar a vista", que é o código universal para "meu coração está tentando sair pela boca".


CHECK-IN NO CTI (Centro de Turismo Intensivo):
Chegamos na recepção num estado que oscilava entre o "preciso de um transplante de pulmão" e o "estou vendo uma luz branca". Eu não conseguia falar meu nome,  só conseguia emitir sons de um fole de acordeão furado.


O recepcionista, que claramente já viu pessoas verem a luz no fim do túnel naquela escada, nem pediu os documentos. Ele apenas apontou para o sofá, que fica estrategicamente de frente para o balcão e ao lado da porta, com um olhar de piedade e disse:

"Sentem. Respirem. Relaxem. Quando o coração de vocês voltar para dentro da caixa torácica, a gente vê esse negócio de RG, nome e CPF."

Recepção - Foto retirada do site da pousada

O RESGATE DA MALA:
Depois do check-in e de recuperarmos 15% da nossa capacidade pulmonar, percebemos a cruel realidade: a mala grande ainda estava lá embaixo, no carro, provavelmente rindo da nossa cara. Era hora de voltar ao campo de batalha.

Lá fomos nós, descer os degraus com as pernas tremendo igual vara verde. Se para descer todo santo ajuda, para subir com uma mala de 20kg, só chamando o Senhor do Bonfim pessoalmente!

A ESTRATÉGIA DIGNA DE ENGENHARIA:
Montamos um esquema para subir com a mala: Eu agarrada na alça e Sr. Dias segurando do outro lado, o das rodinhas. 

A cada dez degraus, acontecia aquele fenômeno sincronizado de apreciação da paisagem. A gente parava, olhava para o horizonte e comentava sobre a belíssima vista, os coloridos das casas, os telhados diferenciados, etc...:

Na verdade, a gente não estava admirando a vista. A gente estava tentando convencer o nosso cérebro de que o desmaio não era uma opção viável naquele momento. A vista de Piranhas é linda, mas depois do 50º degrau, até um poste vira obra de arte se ele servir de apoio.

VITÓRIA (ou quase isso):
Chegamos pela segunda vez. Se o recepcionista nos achou acabados na primeira vez, agora ele provavelmente pensou em chamar o IML ou fazer uma massagem cardíaca.

ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (e os fortes não devem ter joelhos):
Com as malas devidamente domesticadas dentro do quarto, olhamos um para o outro e pensamos: "Já que o pulmão já está no modo 'reserva', por que não gastar o que sobrou?".

A pousada fica ali, estrategicamente posicionada a (+ ou -) uns 80 degraus do chão, mas a Igreja do Senhor do Bonfim brilha lá no topo, como um troféu de ouro para quem sobrevive ao teste cardíaco. De acordo com o Google são aproximadamente 250 a 260 degraus. Para quem já tinha subido e descido duas vezes até a pousada, aquilo parecia... bom, continuava parecendo uma tortura, mas fomos mesmo assim!


Com aquelas paradas estratégicas para apreciar a vista, claro!




Lá de cima, a vista é covardia. O Rio São Francisco se estende como se estivesse pedindo desculpas por cada degrau que a gente subiu. Fomos até o mirante atrás da igreja e, olha... a vista compensa cada gota de suor.



Atrás da igreja, há um monumento em homenagem aos 500 anos de descobrimento do Rio São Francisco.


A DESCIDA:
Depois de esgotar a memória do celular com tantas fotos, veio o momento da descida rumo ao Centro Histórico. Descer é ótimo, né? Não para quem tem o joelho problemático, que é o caso do Sr. Dias. Seu joelho começou a  manifestar que não estava satisfeito com a nossa carreira atlética. 

Chegamos ao centro e Piranhas estava um deslumbre! A rua principal já estava fechada para os carros, transformando-se em um imenso tapete de mesas postas aguardando a luz do luar. O clima é tão gostoso que quase faz a gente esquecer a quantidade de degraus que nos aguarda no final da noite.




O JANTAR
Escolhemos um restaurante, mas sentar foi uma decisão estratégica e perigosa. Sabe aquele momento em que o músculo da coxa dá um aviso prévio de greve? 


O grande medo da noite: Sentar para jantar e o corpo entender que o expediente acabou. O receio era real: se a gente relaxasse demais, o garçom teria que chamar um guindaste para nos levar de volta para a pousada ou nos servir o café da manhã ali mesmo, na calçada.

O "CHECK-OUT" DA CADEIRA:
Quando a conta chegou, o clima pesou. Eu olhei para a escadaria lá no alto, iluminada e imponente, e depois olhei para a cadeira. Foi uma despedida emocionante.

Fizemos uma contagem regressiva silenciosa: "Um... dois... e... JÁ!". Levantamos num impulso só, antes que os músculos percebessem a emboscada. Ficamos ali parados uns 15 segundos, esperando o sangue circular e os membros voltarem a responder aos comandos do cérebro.

Saímos do restaurante caminhando com a elegância de dois bonecos de posto de gasolina. Mas Piranhas é tão mágica que, mesmo com as pernas pedindo arrego, a gente subiu os degraus com um sorriso (e muito suor) no rosto!

Resumo da Noite:

Vista: 10/10.

Jantar: 10/10.

Joelho do Sr. Dias: 2/10 (está pedindo as contas, mas vai ter que cumprir aviso prévio até o final da viagem).

Amanhã os Cânios nos esperam!

19 de janeiro de 2026

5º DIA: LAGO DOS TAMBAQUIS - ARACAJU

Se o 4º dia foi de descanso, o 5º foi de pura adrenalina — e alguns sustos leves! Hoje o destino foi o Lago dos Tambaquis Eco Park. Chegamos com a confiança de quem vai apenas "curtir um day use", mas a realidade é um pouco mais… escamosa.

Na teoria, nadar com peixinhos parece poético. Na prática, quando você entra na água e vê aqueles tambaquis do tamanho de um pneu de caminhão vindo na sua direção sem a menor cerimônia, o coração dispara e o instinto é um só: CORRER! 


Eles nadam em volta sem a menor cerimônia, como se estivessem conferindo se a gente é comestível.

Mas para quem tem o nervosismo um pouco mais aflorado (ou preza pela integridade dos dedos dos pés), saber que o Eco Park oferece essa fuga estratégica para as piscinas é um alívio!


HORA DO RANGO (deles!):
Se você quer ver o caos instaurado, basta alguém comprar um saquinho de ração. O que era um nado sincronizado vira um "salve-se quem puder" versão aquática. Eles ficam doidos! Eu, sinceramente, passei boa parte do tempo vigiando minhas pernas. Vai que um deles me confunde com um petisco gigante?


ATLETAS OU TRAPALHÕES?
Enquanto eu tentava manter a dignidade entre os peixes, a Bia e o Sr. Dias resolveram mostrar suas habilidades náuticas:

  • Caiaque: Bia e Sr. Dias navegaram como profissionais (ou quase isso).


  • Stand up paddle (estilo próprio): Bia nem tentou, ela sabia que seu equilíbrio tinha decidido tirar folga, então o Stand up foi devidamente convertido em "Sit up paddle", que é muito mais seguro para a dignidade humana.


  • O Desafio Inflável: Bia tentou atravessar o brinquedão inflável sobre a água, mas a gravidade venceu e ela não conseguiu chegar ao outro lado, mas rendeu boas risadas!


Dica de Ouro: Se você quer economizar, existem vários restaurantes ao redor da lagoa onde também dá para nadar com os peixes pagando menos. Mas se quer a estrutura de clube, o Eco Park vale o investimento!


UMA NOITE DE MAGIA (E HAMBÚRGUER): 
Depois de passarmos o dia todo sendo "escoltados" pelos peixes, a fome bateu forte. Ontem tínhamos avistado o Casarão Fantástico e hoje fomos conferir. 

Que descoberta! O ambiente é super divertido e os lanches bem gostosos. 


É uma hamburgueria temática muito legal, perfeita para quem gosta de cultura pop, filmes e aquele clima nostálgico. Lá tem de tudo: de Game of Thrones a Harry Potter. Mas sejamos sinceros: com a nossa bruxinha a bordo, o foco era um só.


O lugar não era apenas uma opção de jantar, era quase uma convocação do Ministério da Magia!



Para quem achava que a cota de magia tinha acabado em outras viagens, a hamburgueria temática entregou tudo. O destaque da noite foi a Cerveja Amanteigada sem álcool.

Para a Bia, a cerveja amanteigada daqui superou (e muito!) a experiência de Campos do Jordão. Parece que os bruxos de Aracaju têm um ingrediente secreto especial. 🍻


Saldo do dia: Pernas intactas (os tambaquis só queriam amizade mesmo) e estômago muito feliz!

Amanhã pegaremos a estrada. Pra onde será que iremos?


18 de janeiro de 2026

4º DIA: MARÉ MANSA - ARACAJU

 Ah, o quarto dia! O famoso "dia de lagartear", onde a única meta é ver o tempo passar devagar enquanto a gente se pergunta se realmente precisa voltar para a vida real.

REDE, SOMBRA E ÁGUA FRESCA:
Hoje foi dia de bater o ponto na preguiça. Escolhemos o Maré Mansa, na Praia do Robalo, e olha... o nome não é propaganda enganosa. O lugar é um convite oficial ao sedentarismo praiano.

Mal pisamos na areia e a Bia já ativou o modo "radar de conforto". Ela avistou uma mesa na parte coberta, com uma rede balançando bem na frente. Ela fixou o olhar nela como se fosse um tesouro pirata e se instalou ali com a autoridade de quem é dona do beach club. Se alguém ousasse sentar ali, ela provavelmente invocaria o estatuto da criança e do adolescente. 

Ganhamos o lugar e passamos o dia ali: sombra, água fresca e tudo mais que precisávamos para o nosso "esforço" de não fazer nada.


THE VOICE:
O entretenimento ficou por conta da música ao vivo, que foi um show à parte (literalmente):

O Primeiro Artista: Digamos que ele economizou no carisma e na afinação. A gente trocava olhares tipo: "Será que é o sal ou ele realmente errou o tom de novo?".

O Segundo Artista: O homem era uma usina de energia. Ele pulava e ia até a areia puxar o povo para dançar. A vibração era tanta que, no final, eu já estava achando tudo divertidíssimo e quase entrando na coreografia (QUASE!). O carisma dele salvou o dia!

REVEZAMENTO: 
O mar do Robalo resolveu pedir desculpas pelo agito da Praia dos Artistas no primeiro dia. Não estava nenhuma seda, mas pelo menos dava pra entrar sem medo de ser arremessado na areia. 

Mas, como a vida de pais não é só sombra, eu e o Sr. Dias montamos um esquema de revezamento olímpico:

  • Um vai para a água com a Bia (e finge que tem energia);

  • O outro fica na base, protegendo a rede e garantindo que o petisco não esfrie.

PÔR DO SOL:
Quando o sol começou a baixar e o corpo já estava devidamente "empanado" de areia e sal, o meu espírito de guia turística deu as caras. Como estávamos ali do ladinho, fiz a sugestão de mestre: Orla do Pôr do Sol?! A adesão foi imediata!

Diferente do que se imagina de pontos turísticos famosos, a orla estava deliciosa e sem aquele formigueiro de gente. Tinha o movimento exato para dar vida ao lugar, mas sem tirar a paz que o dia pedia.

Achamos nosso "camarote" de grama. Estendemos a canga (o acessório mais versátil da humanidade).

Ficamos ali, os três, assistindo o sol mergulhar com uma calma que só Aracaju proporciona deixando o céu dar aquele show de cores que faz qualquer filtro do Instagram passar vergonha.






Foi o fecho de ouro para um dia onde a nossa única ocupação foi, de fato, não ter ocupação nenhuma.


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