Tchau, Aracaju! Em breve estaremos de volta! Sim, ainda voltaremos para Aracaju antes de retornarmos ao RJ.
Partimos com o coração leve e o carro carregado rumo a Piranhas, no sertão de Alagoas. O GPS prometia pouco mais de 200 km, mas a gente sabe que quilometragem de viagem é medida em "paradinhas estratégicas" para comer e ir ao banheiro.
AS ESTRADAS:
As estradas estavam ótimas, o que é um milagre que a gente agradece de joelhos. No caminho pegamos uns trechos de chuva só para dar aquele efeito dramático de filme de aventura.
Paramos em Nossa Senhora da Glória (a Capital do Leite) para almoçar. Olha, se o leite é bom eu não sei, mas o almoço, que não estava lá grandes coisas, serviu para dar aquele sustento necessário para o que o destino nos reservava.
A POUSADA E O MISTÉRIO DA MEMÓRIA CURTA:
Ficamos na Pousada Maria Bonita, que tem uma localização privilegiada: na escadaria da Igreja do Senhor do Bonfim. A vista é espetacular! O preço? Alguns alvéolos pulmonares.
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| Vista da Pousada |
Mas eu, como uma pessoa prevenida e honesta, disse ao Senhor Dias lá atrás, antes de fazer a reserva:
"Meu querido, a pousada tem uma vista incrível! Fica no alto e tem escada pra chegar, ok?"
Ele, com a bravura de um maratonista, respondeu: "Sem problemas!".
- Corta para nós na frente da escadaria -
No momento em que viu a escadaria, o Senhor Dias foi atingido por um fenômeno médico raríssimo: ASD (Amnésia Seletiva de Degraus). Ele olhou para cima com uma cara de quem nunca tinha visto uma inclinação na vida.
— "Tem que subir isso?"
— "Eu avisei..."
— "Avisou? Você disse 'escada', não disse 'escalada ao Everest com mala e cuia e sem cilindro de oxigênio'!"
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| Foto retirada do site da Pousada |
A MALA:
Nesse primeiro momento, decidimos subir apenas com as mochilas e uma malinha pequena (e um inalador imaginário). A mala grande ficou no carro para buscarmos depois.
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| Recepção - Foto retirada do site da pousada |
A ESTRATÉGIA DIGNA DE ENGENHARIA:
Montamos um esquema para subir com a mala: Eu agarrada na alça e Sr. Dias segurando do outro lado, o das rodinhas.
A cada dez degraus, acontecia aquele fenômeno sincronizado de apreciação da paisagem. A gente parava, olhava para o horizonte e comentava sobre a belíssima vista, os coloridos das casas, os telhados diferenciados, etc...:
Na verdade, a gente não estava admirando a vista. A gente estava tentando convencer o nosso cérebro de que o desmaio não era uma opção viável naquele momento. A vista de Piranhas é linda, mas depois do 50º degrau, até um poste vira obra de arte se ele servir de apoio.
VITÓRIA (ou quase isso):
Chegamos pela segunda vez. Se o recepcionista nos achou acabados na primeira vez, agora ele provavelmente pensou em chamar o IML ou fazer uma massagem cardíaca.
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (e os fortes não devem ter joelhos):
Com as malas devidamente domesticadas dentro do quarto, olhamos um para o outro e pensamos: "Já que o pulmão já está no modo 'reserva', por que não gastar o que sobrou?".
A pousada fica ali, estrategicamente posicionada a (+ ou -) uns 80 degraus do chão, mas a Igreja do Senhor do Bonfim brilha lá no topo, como um troféu de ouro para quem sobrevive ao teste cardíaco. De acordo com o Google são aproximadamente 250 a 260 degraus. Para quem já tinha subido e descido duas vezes até a pousada, aquilo parecia... bom, continuava parecendo uma tortura, mas fomos mesmo assim!
Lá de cima, a vista é covardia. O Rio São Francisco se estende como se estivesse pedindo desculpas por cada degrau que a gente subiu. Fomos até o mirante atrás da igreja e, olha... a vista compensa cada gota de suor.
A DESCIDA:
Depois de esgotar a memória do celular com tantas fotos, veio o momento da descida rumo ao Centro Histórico. Descer é ótimo, né? Não para quem tem o joelho problemático, que é o caso do Sr. Dias. Seu joelho começou a manifestar que não estava satisfeito com a nossa carreira atlética.
Chegamos ao centro e Piranhas estava um deslumbre! A rua principal já estava fechada para os carros, transformando-se em um imenso tapete de mesas postas aguardando a luz do luar. O clima é tão gostoso que quase faz a gente esquecer a quantidade de degraus que nos aguarda no final da noite.
O JANTAR
Escolhemos um restaurante, mas sentar foi uma decisão estratégica e perigosa. Sabe aquele momento em que o músculo da coxa dá um aviso prévio de greve?
O grande medo da noite: Sentar para jantar e o corpo entender que o expediente acabou. O receio era real: se a gente relaxasse demais, o garçom teria que chamar um guindaste para nos levar de volta para a pousada ou nos servir o café da manhã ali mesmo, na calçada.
O "CHECK-OUT" DA CADEIRA:
Quando a conta chegou, o clima pesou. Eu olhei para a escadaria lá no alto, iluminada e imponente, e depois olhei para a cadeira. Foi uma despedida emocionante.
Fizemos uma contagem regressiva silenciosa: "Um... dois... e... JÁ!". Levantamos num impulso só, antes que os músculos percebessem a emboscada. Ficamos ali parados uns 15 segundos, esperando o sangue circular e os membros voltarem a responder aos comandos do cérebro.
Saímos do restaurante caminhando com a elegância de dois bonecos de posto de gasolina. Mas Piranhas é tão mágica que, mesmo com as pernas pedindo arrego, a gente subiu os degraus com um sorriso (e muito suor) no rosto!
Resumo da Noite:
Vista: 10/10.
Jantar: 10/10.
Joelho do Sr. Dias: 2/10 (está pedindo as contas, mas vai ter que cumprir aviso prévio até o final da viagem).
Amanhã os Cânios nos esperam!





















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