Depois de cruzar a Cordilheira e tirar aquelas 47 fotos idênticas da janela do avião (porque a gente simplesmente não consegue parar de clicar), finalmente pisamos em solo chileno! A missão agora era encontrar o nosso transporte.
Tínhamos fechado com a empresa Vem me Buscar — um nome que, naquele momento de cansaço pós-voo, soava quase como um apelo emocional. O e-mail de confirmação era categórico: "Cuidado com os piratas! Não aceite carona de estranhos! Olhe as credenciais!".
E quem a gente encontra? Um senhor simpático segurando uma plaquinha com o meu nome, mas com zero logomarcas. Nem um boné, nem um crachá, nem um adesivo de "eu fui para o Chile e sobrevivi".
Bateu aquela dúvida existencial: será ele o nosso herói do asfalto ou um mestre do disfarce? A Bia e o Sr. Dias ficaram ali, naquele jogo de "olha pra mim, olha pra ele", enquanto eu tentava decifrar se o sorriso do motorista era de boas-vindas ou de quem tinha acabado de ganhar na loteria do turismo.
Para completar o suspense digno de filme de espionagem, ele nos pediu para esperar e grudou no telefone. "Pronto", pensei, "está chamando o restante da gangue". Mas não! Ele desligou e, com toda a calma do mundo, anunciou que a jornada iria começar... mas não sem antes um último mistério.
Paramos no meio do saguão e ele soltou a frase que muda qualquer humor: "Aguardem, a moça está trazendo os brindes".
O que será que vinha nessa sacola da alegria? Vinho para já entrar no clima? Um mapa gigante que a gente nunca conseguiria dobrar de volta? Ou quem sabe um daqueles gorros de lã de lhama que a Bia ia adorar (ou odiar)?
Lá veio a moça com duas sacolas da alegria. De repente, a preocupação com a falta de identificação do motorista deu lugar àquela sensação maravilhosa de ganhar mimos. O kit Vem Me Buscar era praticamente um "Pacote inicial" para quem quer dominar o Chile:
Ecobag: Já garantiu que a gente não ia precisar carregar os casacos na mão (ou as próximas garrafas de vinho).
Caneta: Fundamental para anotar... bem, qualquer coisa que a gente esquecesse com a emoção.
Mapa de Santiago: Aquele clássico que a gente abre, finge que entende, e depois acaba usando o Google Maps (mas o charme de turista raiz está garantido!).
Garrafinha de Água Mineral: Salvadora de vidas, porque o ar seco de Santiago não brinca em serviço.
Chip de Celular: Esse foi o verdadeiro herói! Conectividade garantida para postar as fotos da Cordilheira e avisar todo mundo que não tínhamos sido sequestrados por "piratas".
Chegamos ao hotel - Ibis Providencia - sem nenhum problema. Efetuamos o pagamento, conforme o combinado, e seguimos para o check-in, que também foi rápido e sem burocracia. Check-in rápido é o maior presente que um viajante pode ganhar depois de um voo, né?
Sabe como é, né? Quando uma criança (e vamos ser sinceros, os adultos também) bota na cabeça que quer pizza, o cardápio do hotel vira paisagem. E a ironia do destino é implacável: reviraramos o menu do Ibis, mas não achamos a iguaria redondinha, só para descobrirmos no dia seguinte que ela estava lá, escondida entre um hambúrguer e um risoto, rindo da nossa cara!
Mas quem tem fome tem pressa, e a salvação estava logo ali na frente: Central Pizza.
Atravessar a rua debaixo de chuva, e muito frio, em uma cidade nova dá sempre um toque de aventura. A Central Pizza acabou sendo o refúgio perfeito. Imagine o alívio de sentar, sentir o calor do lugar e finalmente relaxar.
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| Central Pizza vista da janela do nosso quarto |
Estava um frio de lascar, então depois da pizza, voltamos para o hotel. Esperamos que amanhã o dia esteja melhor, ou pelo menos sem chuva.
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| A vista da nossa janela |





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