Hoje planejamos ir para as praias do outro lado de Abrãao, mas acabamos indo novamente para a Praia Preta.
Tudo começou com aquele café da manhã reforçado na pousada, digno de quem ia desbravar o lado leste da Ilha. O plano era audacioso, um verdadeiro check-list de dar inveja a qualquer guia turístico.
Nossa meta era conquistar o "Cinturão de Abraão". Estávamos prontos para carimbar o chinelo em:
Praia da Julia (o aquecimento)
Crena (a paradinha estratégica)
Bica (o banho de água doce)
Guaxuma, Comprida e Abraãozinho (o grand finale!)
Saímos com a energia de um atleta olímpico. Mas Ilha Grande tem senso de humor.
Quando mal tínhamos passado da metade da Praia de Abraão — ou seja, quando o suor mal tinha começado a brotar — o céu resolveu que precisávamos de um banho, mas não de mar.
Veio aquela chuva "pede-pra-sair". Olhamos um para o outro e a decisão foi unânime: Operação Retorno Tático para a Pousada!
Assim que secamos o pé e sentamos na cama... a chuva parou. O sol deu aquela piscadinha irônica lá no alto.
Não querendo dar o braço a torcer para o tédio, mas também sem coragem de encarar toda aquela trilha épica de novo, apelamos para a sabedoria prática:
"Gente, a Praia Preta está logo ali, o caminho é um tapete e não tem erro! Tem até florzinhas pelo caminho!"
Decidimos trocamos seis praias por uma, mas ganhamos a tranquilidade de quem sabe que, na Ilha, o melhor caminho é sempre aquele que não te obriga a nadar de roupa no meio da trilha!
No meio do caminho para a Praia Preta, o céu resolveu mandar aquele "chuvisco psicológico". Olhamos para as nuvens, as nuvens olharam para nós, e decidimos: "Dessa vez, não!" Seguimos firmes e fortes, blindados pela teimosia.
Chegando lá, o cenário era de exclusividade total. O lugar era praticamente nosso, exceto por:
Uma família com um menino que parecia ter a mesma idade da Bia, garantindo aquele clima familiar.
E o leitor solitário. Um rapaz ignorando solenemente o mundo (e a umidade) para colocar a leitura em dia.
Ficamos lá curtindo a paz da areia escura até as 16h. Mas, como Ilha Grande não perdoa, a chuva decidiu nos escoltar no caminho do almoço. Ela foi educada: esperou a gente sentar no restaurante para, finalmente, desabar de verdade. Pelo menos o teto era firme!
| Bia fazendo careta pra chuva |
A noite chegou e, com ela, a preguiça de enfrentar o temporal lá fora para jantar. O Sr. Dias, nosso herói da logística, assumiu a missão e partiu para a padaria. Ele voltou triunfante, mas o cardápio era digno de um sobrevivente de naufrágio:
3 Joelhos - que, segundo relatos, estavam tão duros que poderiam servir de calço para o barca.
4 Xepas de Goiabada - aquele docinho clássico que a gente come rezando (ou reclamando).
1 Suco de caixinha - para ajudar a descer o banquete de "concreto" da padaria.
Não temos fotos das iguarias porque a fome era tanta que devoramos tudo!
E assim encerramos o dia: ouvindo o som da chuva que resolveu não parar mais a noite inteira, protegidos pelo teto da pousada e alimentados por iguarias de uma padaria.


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