31 de maio de 2026

2º DIA: REVISITANDO MEMÓRIAS, CASCATAS E SABORES DO CAFÉ COLONIAL

Se no primeiro dia a nossa coluna sofreu no labirinto de Nova Petrópolis, o segundo dia foi para testar nossos batimentos cardíacos, nossas pernas e a capacidade elástica do nosso estômago. 

Um combo clássico: Canela, Gramado e o maravilhoso Café Colonial.

1ª PARADA DO DIA: BONDINHO DE CANELA


Começamos o dia no Bondinho de Canela. Compramos os ingressos ainda na estrada, em um local de vendas autorizado e desembarcamos no Parque do Bondinho prontos para a aventura.

A primeira atração escolhida foi a Eagle. Ele prometia o voo de uma águia, mas entregou o passeio calmo de um pardal sonolento. A maior emoção foi a subida de costas — aquele momento em que você encara o abismo e reza um Pai Nosso. Mas a descida foi muito tranquila. Na minha opinião, não vale o preço do ingresso.

Momento da subida


Em seguidas partimos para o Aerozuum. Esse sim teve adrenalina! Aqui a gente ligou o modo "Velozes e Furiosos", aceleramos tudo o que podiamos e fomos sem medo de ser feliz. Se nos deixassem, estaríamos lá até agora.


Bia e eu fomos juntas fazendo a dupla das meninas, enquanto o Sr. Dias foi em missão solo, afinal, para o porte e a altura dele, um carrinho exclusivo era questão de puro conforto!

Chegou a hora da atração principal do parque, os bondinhos. Pegamos o primeiro, na Estação Central e fomos até a Estação Animal. Fizemos a trilha ecológica — um caminho super agradável onde demos a sorte de avistar um belo tucano exibido. 



O ponto fraco ficou por conta do espaço Esculturas que Falam. A ideia de ter cerca de 85 animais esculpidos em madeira emitindo seus sons característicos quando você "esfrega" o bastão é incrível, mas a falta de manutenção estragou a brincadeira. Diferente de 2014, quando encontramos tudo em perfeito estado, desta vez muitas esculturas estavam sem os seus bastões. Um espaço criado justamente para a interação do visitante perde completamente o sentido quando não há o equipamento necessário para fazer a arte "falar". Ficou aquela sensação de potencial desperdiçado por descuido do parque.


Estação Cascata: Descemos até a última parada para ver a famosa Cascata do Caracol. Vale avisar: a estação é bem pequena, sendo o seu único e exclusivo atrativo a contemplação da paisagem. Não há absolutamente nada para fazer por lá a não ser apreciar a vista e garantir as fotos do álbum.


Mas a compensação veio quando esperávamos o bondinho para a estação central: uma família de Bugios deu o ar da graça ali pertinho. As funcionárias contaram que eles são residentes fixos e adoram dar um show por ali. Eram tão fofos que ficamos ali por uns 15 minutos observando eles e conversando com as funcionárias que foram umas fofas conosco contando sobre eles.


A foto ficou ruim, mas valeu o registro


Informações Gerais: 
Rua Constante Félix Orsolin, 699 - Caracol, Canela/RS.
Aberto diariamente, das 9h às 17h.


2ª PARADA DO DIA: PARQUE DO CARACOL

Entrar no Parque do Caracol depois de doze anos da última visita (em 2014) foi um pequeno choque. Por um segundo, bateu aquela dúvida: “Estamos mesmo no lugar certo?”. Estava tudo tão diferente que parecia que tínhamos entrado no parque errado!

Para começar a exploração, fomos direto para a Torre Araucária, que simula a própria árvore. Seu elevador é todo decorado com musgos e reproduz sons de passarinhos durante a subida/descida. 

Achei diferentão, mas preciso fazer um desabafo sincero de uma amante de fotografia: aquele vidro de proteção no topo da torre parece que foi instalado ali com a única missão de atrapalhar nossas fotos e a contemplação da cascata.
Fica a dica para o parque: deixa a gente sentir o vento no rosto!


Buscando uma visão sem obstáculos, seguimos para o deck de vidro. Ah, ali sim! A vista é espetacular e o som da cascata descendo é daqueles que arrepia até o último fio de cabelo (e faz a gente esquecer a raiva do vidro da torre).


Depois das fotos, continuamos o trekking de meio metro até encontramos uma tirolesa/balanço. Cada um teve os seus segundos de criança descendo por ela.

Seguimos até o deck da Cascata do Moinho. Ficamos ali um bom tempo só contemplando a água descer... e, sendo bem sincera, aproveitando para fingir que estávamos reflexivos enquanto, na verdade, tentávamos recuperar o fôlego para a caminhada de volta, que era pura subida. A maturidade chega e o pulmão cobra o preço!

Recompostos, passamos pelo Jardim do Mel. O jardim estava lá, mas o mel e as donas da casa... zero. As abelhas deviam estar de folga porque não vimos nem sombra de uma listrada.


Sem abelhas, seguimos a trilha e fomos parar na Casa Raízes. Que achado! Virou uma cafeteria extremamente charmosa, com fogueira acesa, redário e até borboletário. Ligamos o modo paz & amor, sentamos ali e ficamos só apreciando a paisagem, as borboletas e um Louva-a-Deus aleatório que resolveu dar o ar da graça e virar atração turística por alguns minutos.



 

Na saída, cruzamos com a área das churrasqueiras e o cheiro do churrasco gaúcho quase nos fez desistir do restante do roteiro. Saímos de lá com a boca cheia d'água!

Informações Gerais: 
Rodovia RS 466, km 0 - Caracol, Canela/RS.
Funcionamento: Seg. a sex. das 9h às 17h;
Finais de semana e feriados das 9h às 18h.


3ª PARADA DO DIA: CENTRO DE GRAMADO

Pegamos o carro rumo a Gramado e, no meio da estrada, a Serra Gaúcha resolveu atuar no seu papel mais dramático: do absoluto nada, baixou uma neblina tão densa que parecia que alguém nos bastidores tinha ligado uma máquina de fumaça gigante no modo turbo. Só faltou a trilha sonora de suspense! Mas, tão rápido quanto veio, o "nevoeiro cinematográfico" sumiu, provando que o clima da serra tem mais mudanças de humor que a gente antes do café da manhã.

Chegando lá, estacionamos pertinho da famosa Rua Torta. E aí começa o verdadeiro esporte olímpico gramadense: o desvio de turistas para conseguir uma foto aceitável. É um tal de fingir que está olhando a paisagem para não sair na foto dos outros e, ao mesmo tempo, dar aquela cotovelada sutil para ninguém entrar na sua. Cota obrigatória de fotos devidamente cumprida sem nenhum atropelamento!

 

De lá, engatamos a marcha atlética e fomos desbravando a cidade:

  • Passamos pela Praça das Etnias (fingindo costume com a tentação dos pães quentinhos saindo dos fornos);

  • Desfilamos pela Avenida Borges de Medeiros, que estava impecável como sempre;

  • Fomos dar um "oi" e garantir a foto do lendário Kikito (o troféu do festival de cinema mais encarado do Brasil);


  • Tentamos dar uma volta relaxante no Lago Joaquina Rita Bier, mas o lago resolveu entrar em obras bem na nossa vez. Tivemos que fazer uma "quase volta", dando meia-volta com a maior cara de pau e fingindo que era esse o plano desde o início.





No momento exato em que o sol começou a se despedir, o clima da serra mandou seu recado. O vento gelado veio com tudo e, junto com ele, uma fome monstruosa que só a Serra Gaúcha consegue despertar.


4ª PARADA DO DIA: CAFÉ COLONIAL

O Gran Finale ficou por conta do Café Colonial.
Poderíamos ter escolhido qualquer um dos inúmeros cafés coloniais da cidade, mas a nostalgia falou mais alto. Escolhemos o Gramado Café Colonial por motivos puramente emocionais: foi o primeiro que fomos juntos, lá em 2007.



O garçom nem terminou de dar "Boa noite" e a mesa já parecia um banquete medieval: 40 tipos de salgados, tortas, queijos, gratinados e jarras de suco. Saímos de lá precisando de um guindaste para nos levar até o carro!



ÚLTIMA PARADA DO DIA: CENTRO DE CANELA EM MODO NOTURNO

Decidimos deixar o carro no hotel e apelar para uma "caminhada terapêutica" até a Catedral de Pedra — que na verdade era só uma tentativa desajeitada da gente tentar fazer a digestão e enganar o organismo antes de dormir.

O contraste entre as duas vizinhas foi quase cômico: enquanto Gramado parecia uma capital no Réveillon - agitada e lotada - Canela repousava na mais perfeita paz de um domingo à noite fora de temporada.


Caminhar até lá valeu cada passo. A cidade estava deliciosamente calma, a Catedral de Pedra reluzia com sua iluminação impecável, o vento frio batia no rosto para nos manter acordados e, no peito, só restava uma absoluta e inquestionável certeza: a gente não precisa comer absolutamente mais nada até a semana que vem.

Amanhã tem mais aventuras pela serra!
(Se a gente conseguir acordar depois desse banquete colonial!)

30 de maio de 2026

1º DIA: A IDA - SERRA GAÚCHA

Nossa jornada rumo às terras frias — mas com o coração aquecido — vai começar!

Dizem que quem viaja de férias não dorme, apenas cochila de ansiedade. O voo era às 07:15, o que no manual do bom viajante significa: "esteja no aeroporto do Galeão enquanto as estrelas ainda se despedem", sendo assim, tivemos que sair de casa antes mesmo do primeiro galo pensar em cantar.

O Uber conspirou a favor, chegou bem rapidinho. As malas deslizaram no balcão do check-in sem drama, e o avião partiu pontualíssimo, rasgando o céu rumo às terras sulistas.

Pousamos em Porto Alegre e fomos direto ao balcão da Movida (não é patrocínio) para encontrar o nosso fiel escudeiro de quatro rodas: um Kardian, pronto para as curvas da serra. 


Seguimos sem pressa, afinal, estávamos de férias. Escolhemos a dedo a Rota Romântica. E que espetáculo! As árvores pareciam pintadas à mão, vestindo tons de ouro, bronze e cobre, espalhando folhas pelo chão como tapetes. O outono na Serra Gaúcha sabe como se vestir para impressionar seus visitantes.

Famintos, paramos em Nova Petrópolis. O Parque Aldeia do Imigrante nos acolheu com aquele charme europeu de encher os olhos. 

Almoçamos no restaurante Tannenworld, que fica dentro do parque. 


Depois da refeição, saímos para caminhar, esticar as pernas, digerir a comida e apreciar a paisagem. O reflexo da paisagem na água estava belíssimo e nos rendeu muitas fotos.


As árvores estavam num tom alaranjado tão vibrante e impecável que parecia que alguém tinha passado a noite inteira pintando folha por folha com tinta spray só para nos impressionar.

Quinze minutos de caminhada depois... Se houvesse uma trilha sonora de fundo, cortaria o som da música clássica e entraria o efeito sonoro de disco arranhado.

A Bia para, arregala os olhos e solta o veredito: "O aparelho!" E Sim, o clássico dos clássicos da odontologia moderna: o aparelho dentário esquecido, embrulhado num guardanapo, em cima da mesa do restaurante.

Lá fomos nós, na marcha atlética do desespero, refazendo o caminho até o restaurante e rezando. Bia e Sr. Dias na frente, e eu, um pouco mais atrás, tentava acompanhar o ritmo deles, mas o fôlego de uma mãe sedentária e acima do peso não me permitiu acompanha-los. Por sorte, a moça do caixa já tinha um doutorado em "esquecedores de aparelho" e guardou a jóia. Coração voltou ao peito, o sorriso continuou alinhado, e o passeio seguiu!


Observamos cada detalhe da arquitetura enxaimel, das construções históricas e da natureza ao redor.



Depois de muitas fotos pelo parque, que é uma verdadeira gracinha, e de aprendermos um pouco de Alemão, fomos desbravar a cidade. 



Caminhamos até chegarmos à praça das flores onde avistamos o famoso Labirinto Verde.

Entramos no labirinto plenos, exalando confiança e energia positiva. Mas a realidade bateu na porta: o tráfego de turistas parecia a Linha Amarela em hora do rush, e as paredes de cerca-viva eram estreitas, exigiam um caminhar curvado. O Sr. Dias e eu nos olhamos e, com a sabedoria que só a maturidade (e a coluna) nos traz, decretamos: "Missão abortada!" Manobramos naquelas trincheiras verdes, demos meia-volta e marchamos de volta à saída, tropeçando no calcanhar dos turistas da frente e levando folhada na cara a cada três passos, mas dando um show de autopreservação. Não chegamos ao centro do Labirinto Verde, é verdade... mas batemos o recorde de desistência consciente!

De volta ao carro, subimos mais um pouco até o nosso destino final: Canela. 


O sol já se despedia quando as malas tocaram o chão do hotel Tissiani. Que grata surpresa! Sabe aquele achado que faz o bolso sorrir e o coração sossegar? Um baita custo-benefício. Ele fica um pouquinho mais recuado do burburinho do centrinho — o suficiente para garantir o silêncio sagrado da noite, mas ainda perto o bastante para nos permitir ir caminhando, respirando aquele ar puro da serra. (Não é publicidade! É apenas o nosso ponto de vista.)

Foto retirada do site do hotel

Deixamos as malas no quarto e, antes de sair, fomos espiar o terraço. É lá que o café da manhã é servido e de onde — em um detalhe quase poético — pudemos ver: de um lado, imponente entre os prédios, a pontinha da Catedral de Pedra, como se ela estivesse nos dando as boas-vindas; e, do outro, um belíssimo céu dourado pelo pôr do sol.

 


Inspirados por essa vista, fomos bater perna no centro. A Catedral de Pedra, imponente e iluminada, nos arrancou os últimos suspiros fotográficos do dia. 


Fechamos a noite com um jantar reconfortante, daqueles que aquecem a alma, uma sopa no pão deliciosa.

Agora, já sob o quentinho das cobertas, com as pernas cansadas e a alma cheia de histórias, nos recolhemos. O outono na Serra Gaúcha mal começou, e nós já temos muito o que sorrir (com ou sem aparelho!).

Amanhã tem mais!