Nossa jornada rumo às terras frias — mas com o coração aquecido — vai começar!
Dizem que quem viaja de férias não dorme, apenas cochila de ansiedade. O voo era às 07:15, o que no manual do bom viajante significa: "esteja no aeroporto do Galeão enquanto as estrelas ainda se despedem", sendo assim, tivemos que sair de casa antes mesmo do primeiro galo pensar em cantar.
O Uber conspirou a favor, chegou bem rapidinho. As malas deslizaram no balcão do check-in sem drama, e o avião partiu pontualíssimo, rasgando o céu rumo às terras sulistas.
Pousamos em Porto Alegre e fomos direto ao balcão da Movida (não é patrocínio) para encontrar o nosso fiel escudeiro de quatro rodas: um Kardian, pronto para as curvas da serra.
Seguimos sem pressa, afinal, estávamos de férias. Escolhemos a dedo a Rota Romântica. E que espetáculo! As árvores pareciam pintadas à mão, vestindo tons de ouro, bronze e cobre, espalhando folhas pelo chão como tapetes. O outono na Serra Gaúcha sabe como se vestir para impressionar seus visitantes.
Famintos, paramos em Nova Petrópolis. O Parque Aldeia do Imigrante nos acolheu com aquele charme europeu de encher os olhos.
Almoçamos no restaurante Tannenworld, que fica dentro do parque.
Depois da refeição, saímos para caminhar, esticar as pernas, digerir a comida e apreciar a paisagem. O reflexo da paisagem na água estava belíssimo e nos rendeu muitas fotos.
As árvores estavam num tom alaranjado tão vibrante e impecável que parecia que alguém tinha passado a noite inteira pintando folha por folha com tinta spray só para nos impressionar.
Quinze minutos de caminhada depois... Se houvesse uma trilha sonora de fundo, cortaria o som da música clássica e entraria o efeito sonoro de disco arranhado.
A Bia para, arregala os olhos e solta o veredito: "O aparelho!" E Sim, o clássico dos clássicos da odontologia moderna: o aparelho dentário esquecido, embrulhado num guardanapo, em cima da mesa do restaurante.
Lá fomos nós, na marcha atlética do desespero, refazendo o caminho até o restaurante e rezando. Bia e Sr. Dias na frente, e eu, um pouco mais atrás, tentava acompanhar o ritmo deles, mas o fôlego de uma mãe sedentária e acima do peso não me permitiu acompanha-los. Por sorte, a moça do caixa já tinha um doutorado em "esquecedores de aparelho" e guardou a jóia. Coração voltou ao peito, o sorriso continuou alinhado, e o passeio seguiu!

Observamos cada detalhe da arquitetura enxaimel, das construções históricas e da natureza ao redor.
Depois de muitas fotos pelo parque, que é uma verdadeira gracinha, e de aprendermos um pouco de Alemão, fomos desbravar a cidade.
Caminhamos até chegarmos à praça das flores onde avistamos o famoso Labirinto Verde.
Entramos no labirinto plenos, exalando confiança e energia positiva. Mas a realidade bateu na porta: o tráfego de turistas parecia a Linha Amarela em hora do rush, e as paredes de cerca-viva eram estreitas, exigiam um caminhar curvado. O Sr. Dias e eu nos olhamos e, com a sabedoria que só a maturidade (e a coluna) nos traz, decretamos: "Missão abortada!" Manobramos naquelas trincheiras verdes, demos meia-volta e marchamos de volta à saída, tropeçando no calcanhar dos turistas da frente e levando folhada na cara a cada três passos, mas dando um show de autopreservação. Não chegamos ao centro do Labirinto Verde, é verdade... mas batemos o recorde de desistência consciente!
De volta ao carro, subimos mais um pouco até o nosso destino final: Canela.
O sol já se despedia quando as malas tocaram o chão do hotel Tissiani. Que grata surpresa! Sabe aquele achado que faz o bolso sorrir e o coração sossegar? Um baita custo-benefício. Ele fica um pouquinho mais recuado do burburinho do centrinho — o suficiente para garantir o silêncio sagrado da noite, mas ainda perto o bastante para nos permitir ir caminhando, respirando aquele ar puro da serra. (Não é publicidade! É apenas o nosso ponto de vista.)
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| Foto retirada do site do hotel |
Deixamos as malas no quarto e, antes de sair, fomos espiar o terraço. É lá que o café da manhã é servido e de onde — em um detalhe quase poético — pudemos ver: de um lado, imponente entre os prédios, a pontinha da Catedral de Pedra, como se ela estivesse nos dando as boas-vindas; e, do outro, um belíssimo céu dourado pelo pôr do sol.
Inspirados por essa vista, fomos bater perna no centro. A Catedral de Pedra, imponente e iluminada, nos arrancou os últimos suspiros fotográficos do dia.
Fechamos a noite com um jantar reconfortante, daqueles que aquecem a alma, uma sopa no pão deliciosa.
Agora, já sob o quentinho das cobertas, com as pernas cansadas e a alma cheia de histórias, nos recolhemos. O outono na Serra Gaúcha mal começou, e nós já temos muito o que sorrir (com ou sem aparelho!).
Amanhã tem mais!
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